terça-feira, 21 de julho de 2015

Pai e Filho...


Quando olho para trás vejo um caminho tortuoso e cheio de falhas, justamente pelas lembranças que infelizmente em algumas fases da vida não são possíveis serem relembradas ou que não existiram pela ausência de um pai que não pode está perto devido Deus ter outros planos para ele. No entanto, quando fecho os olhos e concentro minha atenção naquilo que vivi e não recordo, consigo de alguma forma criar imagens e dar sentido a pessoa que eu sou e que foi formada pelos vários momentos que estão no inconsciente mas que de alguma forma podem ser sentido.


Hoje, é de se imaginar que os filhos possam está passando por esta fase que futuramente não fará sentido e se tornara para eles um caminho tortuoso e cheio de falhas de lembranças não recordadas conscientemente. De que forma então fazer com que essas lembranças sejam vividas em um momento futuro destes pequenos que vivem a vida como uma aventura diária sem compreender a diversidade de informação que aparece todos os dias à sua frente durante seus momentos aventura.


Como pai aprendo a cada dia que este processo de maturação do filho é a fonte de sustentabilidade de seu mundo imaginário de coisas que eu jamais poderei compreender sendo adulto. Que é necessário deixar a criança interior tomar de conta do seu corpo e ir experimentar uma vez mais a melhor das fases da vida: a infância. Viver e não ter vergonha de ser tachado de moleque, infantil, ou que não mudou nada e continua sendo o mesmo crianção de sempre, que brinca, sorrir, se diverte e faz seu filho o ver como pai, herói, amigo em quem possa confiar.


Pais e filhos precisam antes de tudo de uma relação de respeito em que ambos compreendam que respeito não é medo, e que o medo não deve existir na relação dos dois. Deve-se saber que o amor é verdadeiro e as vezes será necessário corrigir para não deixar passar. Para o pai a paciência e o bom senso para saber como corrigir e para o filho a compreensão para entender a necessidade da correção.



Quando assim conseguirmos viver e assim aos poucos, passo a passo formos apresentado os valores sociais e morais realmente precisos, conseguiremos também mudar nosso ambiente familiar e logo termos uma família reflexo da família sagrada.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Intolerância Religiosa

Por Edward Neves Monteiro De Barros Guimarães*
ednmbg@gmail.com
MEUS ALUNOS DESEJARAM MUITO SABER O QUE EU PENSAVA SOBRE O QUE TINHA ACONTECIDO NA PARADA GLBT... EU RELUTEI, A PRINCÍPIO, MAS DEPOIS RESOLVI ESCREVER SOBRE ESTE ASSUNTO TÃO DELICADO PARA  ALGUNS.
Eu, sinceramente, como cristão, não fiquei ofendido quando contemplei a utilização da cruz, na parada Gay, com o objetivo de enviar uma mensagem a toda sociedade brasileira marcada pela fé cristã sobre as condições desumanas e violentas a que tantas pessoas humanas estão diariamente submetidas por causa de sua sexualidade. Aquela forma de clamor-denúncia com uma mulher na cruz foi direta e tinha como alvo claro mostrar a nossa indiferença ou conivência social.
Jesus não foi o único crucificado pelo Império Romano e, além disso, há muitos crucificados em nossa história e, sobretudo, hoje pelos novos "impérios". Como cristão, quando contemplo a cruz vejo mais do que o símbolo dos cristãos ou um enfeite-amuleto contra o mal. Quando olho para cruz contemplo sim a fidelidade de Jesus até as últimas consequências ao projeto salvífico universal do Reino de Deus! Ele deu a vida pelo que acreditava e dava sentido último ao seu viver. Fiz da "causa" de Jesus a minha fonte de sentido último e, procuro, no meu dia a dia, pautar as minhas atitudes e posturas pessoais e sociais tendo como referência maior a pessoa de Jesus, seus ensinamentos e gestos proféticos. Inclusive, o de sentar-se a mesa com os pecadores e afirmar que as prostitutas nos precederão no Reino dos Céus.
Além disso, querem saber o que realmente ofende a minha fé? Confesso que não tem a ver com agressão a símbolos, mas ao ser humano. É conviver diariamente e de forma impotente com a realidade de miséria e a fome de tantos irmãos e irmãs... É reconhecer a existência de velhas e novas formas de injustiça e desigualdade social a se eternizar entre nós... É perceber a quantidade de atitudes e posturas preconceituosas, discriminatórias e de violenta intolerância sexual, étnica e religiosa a se perpetuarem em nosso meio... É saber que até hoje não aprendemos a cuidar da casa comum e desenvolver um jeito de viver-conviver sustentável e que cuida do equilíbrio ambiental e do afeto para com os mais vulneráveis por causa da centralidade do valor e da dignidade da vida.
Aprendi que Deus não precisa ser defendido, pois ele é soberano e o que sustenta a nossa autonomia. Quem precisa de cuidados somos nós, pois, a vida é frágil e carente de amor do nascimento até o fim! Aprendamos, então, a amar e cuidar uns dos outros!
Aprendi, com a fé cristã, que Deus ao criar coloca entre parênteses a sua soberania absoluta para que tenhamos liberdade, e ele sofre com a nossa dor. Enviou-nos o seu Filho para revelar que seu maior desejo, se posso falar assim de Deus, é ser um Deus pertinho de nós. Deus é Amar! Por isso o culto maior a Deus não é a defesa da religião, mas o amar o próximo de forma a promover a vida plena.

* Professor de Cultura Religiosa da Puc Minas. Secretário Executivo do Observatório da Evangelização. Mestre em Teologia Sistemática.